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Galeria dos Artistas



Alessandro Santos Monteiro
(por ele mesmo)
               

Sei que vocês dispensam merecida atenção às histórias de vida e paixão pela arte circense que obtiveram êxitos, mas gostaria que conhecessem um pouquinho da minha.

Meu nome é Alessandro Santos Monteiro, tenho 25 anos nasci e moro aqui em Lagarto, maior município do interior Sergipano. Trabalho como gerente de marketing e publicidade de uma distribuidora farmacêutica. Mas este não era exatamente o meu destino.

O primeiro circo que meu saudoso pai me levou chamava-se Águias Romanas (soube que pertencia a Família Neves do Real Moscou) Eu tinha uns quatro anos de idade e nunca esqueci do grande letreiro daquele circo. Agradeço quem me informar qual foi o destino ou mudança de nome de tão grande companhia).

Depois, o meu fascínio foi despertado por uma pequeníssima companhia chamada Hawai Circo Show , quando eu já tinha uns sete anos.  Coincidência ter esse circo o mesmo nome do que conquistou o célebre JOVAL ANGÉLICO.  Agradeço e inúmeras vezes,agradecerei a vossa equipe por essa riqueza de biografia contida em seu site.

Como muitos garotos eu brinquei muito de circo no meu e em outros quintais da minha infância. Lá se iam sete anos de temporadas entre os quintais e garagens do meu quarteirão, quando me dei conta de que já não tinha mais cabimento um garotinho de “quatorze anos” brincando como se ainda tivesse sete. E além do mais, aquela fantasia já não me bastava... Descobri então que poderia animar festas infantis e montei um grupo de palhaços (até aqui não havia citado minha almejada profissão). Pois bem, em dois anos e meio percorri boa parte do meu pequeno estado trabalhando em eventos para jovens e crianças. Até que poderia estar satisfeito, mas sabia que um palhaço sem alma não sobreviveria por muito tempo. Por isso, ansiava  pela oportunidade de trabalhar em um circo de verdade.

Mas que grande circo daria oportunidade a um palhaço animador de festas de aniversário? Que não teve acesso a uma escola preparatória?

Em  junho de 1995, finalmente  tive a oportunidade de trabalhar por  um mês em um pequeno circo chamado Musy Show que ainda está em plena atividade entre a Bahia e Sergipe, e que pertence ao sr. Euzito (meu primeiro mestre) que já foi apresentador do Gran Bartholo.  Penei um pouco, mas ele me incentivou muito por acreditar em meu talento. Ele me ensinou as principais reprises adequadas às grandes companhias. Durante um mês, este circo foi a minha faculdade.

Logo depois, ingressei no extinto Park Circus World empresa do sr. Walter Bartholo que estava encerrando sua temporada em Aracaju. Fui bem acolhido pelos diversos artistas que ainda estavam exercendo suas funções com muitas dificuldades mas com a pompa de quem faturava super cachês. Infelizmente cheguei a esta empresa em fase terminal (Posso afirmar que o World foi uma das primeiras vítimas da crise que enterrou tantos sonhos circenses). Havia muita reclamação por atraso de pagamento, todos estavam insatisfeitos. Eram atletas de renome em um super time à beira da falência. Todos estavam ansiosos por novos contratos. Mas eu nem me importava, passei um mês como camareiro do premiado mestre de pista Luciano Peres Bartholo.  Ganhava uma quantia irrisória mas eu era um poço de orgulho por estar entre ilustres desconhecidos.

Fiz inesquecíveis amigos como Rogério Torres um dos... senão “o melhor” globista do Brasil. Ele é irmão do Charles torres outro famoso ciclista e globista. Foram parceiros por muito tempo, até que uma briga familiar os separou. Quem mais sofreu com isso foi o Rogério que se transformou em um homem deprimido. O tempo todo estava sozinho, refletindo... De bens materiais só possuía uma sacola e nada mais. Se alguém tiver notícias do Rogério, por favor, me avise.

 Outro companheiro foi o Claudinei que era eletricista mas não via a hora de estrear como domador. Na época estava tomando aulas. Depois, tive a péssima notícia que era ele o domadora dos leões que devoraram um garoto no Circo Vostok.

A essa altura eu já estava batizado no circo e também já tinha meu protetor: o Rodrigo Mister Rodman mágico e ventríloquo. Ele  me ensinou muito sobre a realidade do circo e da vida. O cara era um Dom Juan, um dos maiores colecionadores de mulheres que conheci. Colecionava também filhos; um em cada estado. Suas aventuras e desventuras amorosas eram fantásticas. Combinamos que se ele fosse para um circo melhor, eu poderia acompanha-lo. 

Mas a necessidade de voltar foi mais forte que meus ideais. Minha mãe estava deprimida com minha ausência. Eu só tinha dezessete anos, nunca tinha saído de casa, estava no meio do mundo sem parentes, etc., etc.. Coisas de mãe né? E eu tiive que voltar depois de apenas seis meses do que seria o meu destino.

Só me resta então, narrar, com aperto no coração, as aventuras que vivi no pouco tempo em que estive no circo. E chego a temer  que a frustração por ter abandonado o sonho mais puro de minha existência, exerça influencia para sempre em meu destino.

Apesar das raras oportunidades continuo animando festas infantis. E mesmo que não quisesse mais seria impossível me desfazer dos trajes e parafernalias. É um remédio pra minha alma.

 Como a produção literária sobre o assunto não existe nas livrarias desse meu estado vibrei quando pude ter acesso à internet e desde então  sabendo que vocês existem e da tamanha importância  que dão a um mundo que tantas pessoas estão dando as costas. Será esta a nova geração? Será que terei que arquivar centenas de fotos e documentos para poder contar e mostrar a minha filha Letícia O QUE ERA UM CIRCO...   Tenho muitas, enormes saudades do passado principalmente daquele que eu não alcancei, que eu não pude viver.  Oh! como me emocionei com seus textos sobre tempos de glória do circo nesse país

MAS NADA PODE SER FEITO CONTRA ESTE ACLAMADO MUNDO MODERNO, E CONTRA A HIPOCRISIA DE NOVOS COSTUMES E TENDENCIAS DESTA SOCIEDADE. Eu tenho certeza que não sou daqui, esqueceram de me avisar que não pertenço mais a esse lugar!

Minha gratidão por vossa atenção a este mero admirador, gostaria de ter autoridade necessária mas como não tenho: pelo menos saiba que seu trabalho merece um prêmio da lei de incentivo a cultura ou algo mais estimado. É o mínimo que a gente pode fazer!

 

Lagarto, 04 de junho 2003


 

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